Comer, Rezar, Amar.

Se eu entendi direito, comer, rezar, amar é um livro/filme sobre ingratidão, e talvez, sobre o desespero de uma pessoa na tentativa de amar alguém que não seja ela mesma. É uma espécie de romance escrito pelo Dexter.

O personagem Dexter tem uma fixação enorme por sentimentos, apesar de não conseguir senti-los. E a Liz, perdida, também tem. Ela olha pra vida dela, observa os padrões, observa as pessoas que se importam umas com as outras -e o quanto ela queria ser como elas- e sai viajando (assim, bem perua, porque perua, quando se estressa, viaja, né?).Então, ela sai pelo mundo tentando encontrar alguém que ela consiga amar, mas ela não é capaz de ‘produzir’ esse sentimento. Burra ela. Se tu não consegue ser feliz com ‘nada’, não vais conseguir com uma pilha de coisas. E, se não consegue ser feliz dentro da tua solidão, não vais conseguir ser feliz nem com todas as pessoas do mundo. A felicidade não se dá por motivos e sim pelo ângulo que tu decide olhar pra tua vida. E eu vou tentar parar de argumentar sobre esse ponto específico porque quem tem tudo pra ser feliz e não consegue é burro e não vai entender por mais que eu escreva 10 páginas aqui. Mas, voltando ao filme,  é aí que ela começa a me irritar…

Primeiro, porque, já que não ama ninguém, provavelmente seja uma psicopata em potencial -e eu vou começar a cuidar os jornais a partir de hoje-; segundo porque ela é o ser mais ingrato da terra.

A criatura pode ser dar ao luxo (e BOTA luxo nisso) de passar um ano perambulando pelo planeta, porque ela não tem laços com ninguém, chega na Itália, e tudo que ela consegue pensar é que ela não precisa comprar uma lingerie porque ela não tem com quem usar? Posso mandar ela tomar no c* nesse momento porque o blog é meu, né? Tu tá na Itália, criatura, fazendo um dra-a-a-a-ama como se fosse uma pobre infeliz refugiada da guerra que teve que escolher um dos filhos pra ser morto só porque ninguém vai te comer essa noite?  Todo mundo que passa por ti na tua vida te ama, te adora, e tu não tem problemas! Então, tu resolve criar do meio da tua loucura um problema (porque o ser humano precisa de problemas) e sair louqueando pelo mundo tentando resolver o que não existe! E ainda expõe isso em um livro? Que vergonha alheia! (na verdade é raiva alheia, porque a vergonha alheia dela rendeu milhões.)

A mulher tá bem, tá casada, ganhando uma baita grana e ao invés de relax and enjoy, ela resolve que quer emoção. Pular de paraquedas não podia? Ingratidão pura.

Quando ela reza pra que Deus diga a ela o que fazer e segue os conselhos do guru completamente (leia-se COMPLETAMENTE) incapaz de pensar sozinha ou tomar uma decisão, eu sinto uma vontade instantânea de abrir uma ceita e começar a dizer pras pessoas o que fazer.

Aqui ó:Vive, ô panaca.

Talvez eu seja muito mais evoluída que muita gente, ou muito mais infantil, mas quando eu acordo de manhã, eu demoro umas 10 horas pra perceber que nenhum barbudo acordou ao meu lado. E não é que eu não goste de romance, eu acho o máximo se apaixonar e passar o dia ouvindo coldplay, mas eu também acho o máximo acordar só pelo prazer de ver o sol nascer, e comprar uma lingerie pra usar pra comer pipoca sozinha vendo televisão.

Eu gosto de tudo que é pequeno e fútil porque eu sei que eu tenho a sorte de poder aproveitar essas coisas num mundo tão f*dido do jeito que tá. Eu tenho sorte de decidir passar um dia inteiro restaurando cadeiras antigas e amar isso. A minha vida não tem 1/10 das coisas que a vida daquela mulher tinha no começo daquele livro, e eu, mesmo assim, não sinto nada do vazio que ela sentia… fora que, é óbvio que se eu um dia passar um ano viajando pelo mundo como ela passou, meu livro vai ser bem melhor!

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